Quem sou eu? Bem, eu sou um espectro, um vulto, vindo de tempos abissais, de lugares desconhecidos, de terras muito além dos sonhos humanos.
Eu sou uma alma bruta, atormentada pela violência, manchada pelo sangue dos meus inimigos e dos meus amigos. Eu vivo pela glória individual e embora não seja mais reconhecido pelo meu antigo nome, eu me recordo do meu passado e da minha vida pacata do meu lar caloroso e de meus entes queridos.. sim eu fui amado, mas hoje eu só sei odiar, já recebi carinho mas hoje eu só sei ferir, já não me apego aos meus companheiros por que uma hora eu os vejo morrer, eu os vejo ao meu lado e depois os vejo sobre meus braços, tento não me apegar por mais que não seja uma coisa boa, para não sofrer mais uma vez
Ahh eu me lembro deles, tão alegres e agradáveis, era impossível não sorrir ao seu lado, era impossível não sorrir.. mas isso acabou, e por causa da violência.. sim essa violência que me acompanha, que me nutre e me dá forças, não sou mais a pessoa que fui antes. E isso me deixa triste mas sei que isso é o que eu devo ser num mundo como esse, sei que minhas atitudes serão cobradas pelo meu santo Deus, mas não tenho mais escolha, eu me tornei esse mundo, me tornei essas atitudes. Eu sou a Guerra! Eu sou a morte! O meu rosto magro e empoeirado cheio de marcas conta bem como eu sou. Essas feridas e queimaduras me acompanham, a guerra é minha realidade, e eu não quero mais nada, meu fuzil a muito se tornou meu melhor amigo, e esse cheiro de pólvora e carne queimando se tornou agradável, eu sou um desses monstros que vagam por essas trincheiras, aqui a vida e a morte são iguais
Sou uma criatura assustadora, com meu sorriso de demônio e vodka nas feridas, faço sumir qualquer sombra de bondade que ainda sobra no meu coração, com minha baioneta e meu sabre desenho uma arte perfeita, uma mistura de entranhas e sangue, sim.. era é minha arte, eu sou isso.. sem medo eu admito, o escuro sempre vem, me mostrar, o sabor de ceder a insanidade em mim, pesadelo surreal, um inferno sem final! Como alguém poderia dele escapar? Indestrutível ódio a ceder, sem misericórdia, ou qualquer reflexo de mim, Não a compaixão! Depois do que eu já perdi...
Luto sem sonhos para não perecer! Com a alma a queimar! nessa noite febril, ME DEIXE VIVER!! RASGO O DESTINO E O SANTO ATE!
mesmo que não valha a pena, e não seja para sempre, DEIXE ESSA VIDA NO FOGO ARDER!
Por Willian Rodrigues Lima